Um dos camundongos mais raros do mundo está se adaptando às mudanças climáticas; entenda

  • 22/04/2026
(Foto: Reprodução)
Um dos camundongos mais raros do mundo está se adaptando às mudanças climáticas Um dos camundongos mais ameaçados de extinção do mundo está conseguindo se adaptar às mudanças climáticas, mesmo tendo perdido grande parte de sua diversidade genética ao longo do último século. É o que mostra um estudo récem-publicado na revista científica "Science Advances". A pesquisa analisou o genoma do chamado camundongo-do-bolso-do-Pacífico, um pequeno roedor que vive em uma faixa estreita do litoral sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e que já chegou a ser dado como extinto antes de ser redescoberto em 1994. Hoje, apenas três populações isoladas da espécie sobrevivem na natureza. Pesquisadores compararam o material genético de animais coletados ao longo de quase cem anos — de exemplares preservados em museus nos anos 1930 a indivíduos capturados recentemente — e identificaram 14 genes ligados à capacidade de lidar com temperaturas mais altas e ambientes mais secos, justamente as condições que devem se intensificar com as mudanças climáticas. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O passo seguinte foi acompanhar uma população reintroduzida na natureza a partir de um programa de criação em cativeiro. Durante quatro anos, os pesquisadores monitoraram como esses genes se comportavam nos animais soltos no Parque Natural de Laguna Coast, no condado de Orange, também na Califórnia. O camundongo-do-bolso-do-Pacífico foi dado como extinto por mais de 20 anos antes de ser redescoberto em 1994; hoje é alvo de programa de reintrodução na natureza. San Diego Zoo Wildlife Alliance O que encontraram foi animador: as variações genéticas ligadas à adaptação climática foram mudando na direção esperada para aquele ambiente específico, o que sugere que o processo de adaptação está em curso. "Nossas descobertas indicam que, apesar dos severos declínios populacionais e da perda de diversidade genética, o camundongo-do-bolso-do-Pacífico apresenta sinais de adaptação contínua às mudanças climáticas", disse ao g1 Erik Funk, pesquisador do San Diego Zoo Wildlife Alliance e líder do estudo. "As estratégias de conservação atuais, como a criação em cativeiro que mistura indivíduos de todas as populações selvagens remanescentes, ajudaram a elevar a diversidade genética e a resiliência climática." O estudo também chama atenção para um problema mais amplo enfrentado por espécies em risco de extinção. Ao contrário de populações grandes e diversas, que possuem um repertório genético mais amplo para responder a mudanças ambientais, espécies ameaçadas muitas vezes chegam a um ponto em que simplesmente não têm variação genética suficiente para se adaptar. No caso do camundongo-do-bolso-do-Pacífico, a perda de habitat causada pela urbanização costeira reduziu drasticamente o tamanho das populações e cortou as conexões entre elas. O fato de a espécie ainda manter alguma capacidade de adaptação, mesmo depois de décadas de declínio, foi uma surpresa para os pesquisadores. A espécie habita uma faixa de menos de 4 km da costa californiana e perdeu grande parte do seu território para a urbanização nas últimas décadas. San Diego Zoo Wildlife Alliance Parte disso é atribuída ao cuidado com que o programa de criação em cativeiro administrou a diversidade genética dos animais — garantindo que indivíduos das três populações selvagens fossem cruzados entre si, preservando variações que poderiam ter se perdido de outra forma. Quatro desses 14 genes identificados mostraram diferenças significativas entre os animais que sobreviveram ao verão e os que não sobreviveram, o que reforça a ideia de que essas variantes têm um papel real na capacidade de resistir ao calor e à seca. "Enquanto nossos resultados sugerem que a resiliência climática é possível para o camundongo-do-bolso-do-Pacífico, avaliar outras espécies ameaçadas continua sendo fundamental para entender sua capacidade de adaptação, pois outras espécies podem ter diferentes níveis de diversidade genética", disse Funk. "No geral, manter o máximo possível de diversidade genética é a melhor estratégia para garantir que as espécies sejam capazes de responder às mudanças ambientais." Agora, os pesquisadores esperam avançar no monitoramento da população reintroduzida e iniciar o acompanhamento de um segundo grupo solto na natureza, para entender melhor como esses genes ligados ao clima atuam ao longo do tempo — e como as estratégias de conservação podem ser ajustadas para aumentar as chances de sobrevivência da espécie. LEIA TAMBÉM: Drama de baleia encalhada há semanas na Alemanha mobiliza protestos e levanta dilema sobre resgate; entenda Estrutura geológica gigante no deserto do Saara parece um 'olho' visto do espaço; veja IMAGEM 'O que aprendi ao viver um ano sozinho com um gato em uma ilha remota' Nova espécie de "fungo zumbi" é descoberta no Brasil

FONTE: https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/04/22/um-dos-camundongos-mais-raros-do-mundo-esta-se-adaptando-as-mudancas-climaticas-entenda.ghtml


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